Do RPG Maker XP à Godot: como a paixão por criar jogos moldou uma geração inteira

Autor Ranieri Abimael

Ranieri Abimael

Fundador • NeoGeekHub


Existiu uma época da internet onde criar jogos parecia algo quase mágico.

Não existiam milhares de cursos prometendo transformar qualquer pessoa em desenvolvedor em apenas algumas semanas.

Não existia algoritmo empurrando anúncios dizendo:

"Aprenda programação e fique rico."

Na verdade, muita gente começou porque simplesmente amava videogames.

E comigo foi exatamente assim.

Lá por volta de 2008, eu passava horas mexendo no RPG Maker XP e no RPG Maker VX, completamente fascinado pela possibilidade de criar meus próprios mundos.

Talvez eu nem entendesse direito o que era game design naquela época.

Mas eu entendia uma coisa:

eu queria criar algo.

A internet criativa dos anos 2000

A internet daquela época parecia muito diferente da atual.

Era uma internet mais improvisada.

Mais caótica.

Mas também muito mais criativa.

Os fóruns eram praticamente escolas para jovens desenvolvedores.

Você entrava em comunidades tentando descobrir:

  • como fazer batalha lateral
  • como adicionar sistemas diferentes
  • como criar HUD personalizada
  • como melhorar movimentação
  • como modificar scripts

E era ali que muita gente começava a aprender programação sem nem perceber.

No meu caso, tudo começou tentando entender os scripts do RPG Maker.

Eu abria códigos gigantescos sem entender quase nada.

Mas aos poucos começava a perceber:

  • como sistemas funcionavam
  • como eventos eram organizados
  • como lógica funcionava
  • como pequenas alterações mudavam completamente um jogo

Foi literalmente assim que comecei a aprender programação.

Quando criar um jogo parecia uma aventura

Uma das coisas mais marcantes daquela época era que quase tudo precisava ser improvisado.

Hoje existem:

  • marketplaces gigantescos
  • assets prontos
  • IA gerando imagens
  • templates completos

Mas naquela época?

A gente criava na base da obsessão.

Eu lembro de abrir emuladores de Game Boy Advance apenas para tirar prints dos sprites de Kingdom Hearts.

Eu salvava personagens em vários ângulos diferentes.

Montava meus próprios tilesets manualmente.

Tentava recriar cenários.

Passava horas organizando mapas, personagens e sistemas tentando transformar aquilo em um jogo de verdade.

E honestamente?

Aquela sensação era incrível.

Porque não parecia apenas um software.

Parecia uma ferramenta que permitia transformar imaginação em alguma coisa jogável.

O RPG Maker criou uma geração inteira de desenvolvedores

Muita gente subestima o impacto do RPG Maker.

Mas ele provavelmente inspirou milhares de artistas, roteiristas, músicos e desenvolvedores ao redor do mundo.

Porque ele fazia uma coisa muito importante:

ele tornava a criação acessível.

Você não precisava ser um programador profissional.

Você só precisava ter vontade de criar.

E isso gerava algo muito poderoso:

paixão.

A maioria das pessoas daquela época não estava criando jogos pensando em:

  • mercado
  • dinheiro
  • carreira
  • marketing

Elas estavam criando porque amavam videogames.

E talvez seja exatamente isso que acaba formando os melhores criadores.

Os melhores projetos quase sempre nascem da paixão

Hoje em dia existe uma pressão enorme para transformar qualquer hobby em produtividade.

Tudo precisa virar:

  • curso
  • marca pessoal
  • negócio
  • conteúdo

Mas muitos dos melhores artistas e desenvolvedores começaram apenas porque estavam apaixonados por alguma ideia.

Sem garantia de sucesso.

Sem público.

Sem dinheiro.

Apenas criando.

E acho que existe uma diferença enorme entre:

  • aprender algo porque viu uma propaganda no YouTube
  • e aprender algo porque você genuinamente ama aquilo

Quando existe paixão, a curiosidade vem naturalmente.

Você pesquisa sozinho.

Testa coisas.

Erra.

Passa madrugada tentando resolver problemas.

Porque aquilo deixa de ser obrigação.

Vira obsessão criativa.

Então surgiu a Godot

Depois de muitos anos sem acompanhar tanto a cena de desenvolvimento indie, recentemente conheci a Godot Engine.

E honestamente?

Ela me trouxe exatamente a mesma sensação que eu tinha mexendo no RPG Maker anos atrás.

A sensação de que qualquer pessoa ainda pode abrir uma engine e começar a criar algo.

A Godot possui uma comunidade extremamente apaixonada.

Ela é:

  • leve
  • gratuita
  • open source
  • acessível para iniciantes

Mas o mais importante talvez seja outra coisa:

ela parece feita para criadores.

Não possui aquela sensação corporativa pesada que algumas engines modernas acabam transmitindo.

Ela parece uma ferramenta construída por pessoas que genuinamente gostam de videogames.

A criatividade ainda continua viva

Talvez seja exatamente por isso que tantas pessoas estejam migrando para a Godot atualmente.

Ela recupera uma sensação que parecia perdida:

a liberdade de criar.

E honestamente?

Acho bonito perceber que mesmo depois de tantos anos, aquela vontade adolescente de construir mundos digitais ainda continua viva dentro de muita gente.

Talvez as ferramentas tenham mudado.

Talvez os gráficos tenham evoluído.

Talvez a indústria esteja completamente diferente.

Mas a paixão por criar continua exatamente igual.

Onde baixar

Caso você tenha vontade de começar a criar seus próprios jogos, essas ferramentas continuam sendo algumas das portas de entrada mais interessantes para novos desenvolvedores:

Godot Engine:
https://godotengine.org/

RPG Maker:
https://www.rpgmakerweb.com/

Talvez você não crie o próximo grande jogo indie.

Talvez ninguém jogue seu projeto.

Mas honestamente?

Às vezes o mais importante não é criar algo perfeito.

É simplesmente não deixar aquela vontade de criar morrer.

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